quarta-feira, abril 12, 2006

"Todo fumante é um pouco piromaníaco" ele pensa.
Que mania é essa de pensar nessas coisas. Não é mais fácil simplesmente parar na frente dessa telinha RGB e somente digitar, digitar, digitar?

Seria sim, mas enfim...
Tem simpatizado com esses pensamentos simples, conclusivos... tem gostado muito de ilhas, e tem gostado muito de si mesmo.

E ainda fuma, mesmo não se considerando piromaníaco.
Parar de fumar por isso seria o mesmo que parar de sorrir por estar querendo.

segunda-feira, abril 10, 2006

Panis et Circensis

Ele apenas não pensa em escrever hoje.
Quer se reservar ao direito de calar.
E por isso canta, o que ouve há dias, sem parar, e tem feito tão bem.

"Eu quis cantar uma canção iluminada de sol Soltei os panos sobre os mastros no ar Soltei os tigres e os leões nos quintais Mas as pessoas na sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer Mandei fazer de puro aço luminoso um punhal Para matar o meu amor e matei Às cinco horas na avenida central Mas as pessoas da sala de jantar São ocupadas em nascer e morrer Mandei plantar folhas de sonhos no jardim do solar As folhas sabem procurar pelo sol E as raízes procurar, procurar Mas as pessoas da sala de jantar Essas pessoas da sala de jantar Mas as pessoas da sala de jantar..."

Assim mesmo, sem compasso.
Assim mesmo, sem música.
Assim mesmo, sem companhia.
Assim mesmo, esperando.

Assim mesmo.
Assim assado.
Sendo assim, dá por terminado esse post.

E mal pode esperar pelo dia que vem.

Sometimes my Heart is an Island




sábado, abril 08, 2006

Momento

Um dia para entrar na história.
E ele não quer registros escritos.

Ele quer apenas guardar todas as sensações.
E companhias.

(Você já foi assim pra sempre pelo menos por um dia?)

quinta-feira, abril 06, 2006

Alheias

Ele nem sabe ao certo o que quer. Mas tem entendido, e esperado por ele mesmo. Pode ser visto em seus olhos distantes, sua certa desconcentração contente. Ele começa a entender como funciona.
Pequenas coisas tem tornado seus momentos agradáveis. Sim, coisas que ele faz pelos outros, ou que recebe em troca. Tem visto que o essencial é invisível aos olhos. E sim, deixou de fechá-los por medo ou por insegurança. Talvez ingenuidade.
Ele pensa como é bom, as vezes, ter apenas dezenove anos. E nessa dezenovice, sente-se acolhido, pois ainda pode errar muito.
Mesmo nesses dias nublados, onde poderia fazer mais frio, sente um calor agradável. Não que goste de calor, mas gosta de carinho.
Aqueles impetos loucos que tinha, sumiram. Seria sinal de quietude? Não, deveras não. Talvez um pouco mais maduro, ele aceite pensar.
Quer ele, fotografar mais um par de olhos, ou fotografar mais um par de rostos? Quer ele sentir o beijo de bom dia/boa noite? Quer ele sentir-se mais leve e seguro?
Ele está no caminho, acreditem. Ele tem lido sobre si em palavras alheias, e tem visto que é compreensível. E isso o conforta de tal forma que o faz escrever.
Escrever estas palavras.
E assim, decide acender o ultimo cigarro dessa noite, antes de deitar e tentar sonhar o que pode acontecer.


Essa segurança vem de algum lugar que sabe que independentemente do que pode acontecer, o resultado sempre será positivo.

quarta-feira, abril 05, 2006

terça-feira, abril 04, 2006

Instruções para Chorar

"Deixando de lado os motivos, atenhamo-nos à maneira correta de chorar, entendendo por isto um choro que não penetre no escândalo, que não insulte o sorriso com sua semelhança desajeitada e paralela. O choro médio ou comum consiste numa contração geral do rosto e um som espasmódico acompanhado de lágrimas e muco, este no fim, pois o choro acaba no momento em que a gente se assoa energicamente."

Cortázar

(precisei postar exatamente agora)

segunda-feira, abril 03, 2006

Retina

Plenitude e simplicidade, ele encontrou alguns momentos. Até chegou a pensar que seu ano começou verdadeiramente depois de quase três meses da data oficial.
Engraçado, pensa, em como nos impedimos de viver momentos simples, em lugares simples, e que podem ser tão compensadores. Por quê? Pela rotina, pela preguiça ou pelo medo?
De qualquer forma, ele tem fugido de todos esses fatores. Tem feito coisas que não faria, e sentido confiança para falar coisas que normalmente não falaria. E isso tem trazido uma paz antes desconhecida.
Olhando para o mar, pensando na vida, e falando sobre o que pensa, ele encontra alguém para ouvir,
e para falar.
Ele queria ouvir sim, apesar de falar muito de si, quer falar sobre si falando de outros.




"olhos de gato ladrão do principado dos repolhos"

para T. O.

sábado, abril 01, 2006

Maldito Graham Bell

Ah, telefones! Ele detesta telefones.
Como pode existir aparelho tão confuso, que irrite e alivie em questão de segundos?
Perdeu o fio da meada. Não é em si o telefone, mas as pessoas.
De qualquer forma, foi bom ele não ter tocado hoje, e foi bom ele ter ligado.

Não queria ouvir desculpas, mas queria ouvir que está tudo bem.
E está.

Simples como foi, só poderia estar.

Ausência...

Ele chega no horário que queria. Observa tudo ao redor, sente-se só, apesar da presença de todas as mesmas pessoas de sempre. Sente-se aliviado por ter tirado a camisa de pic-nic. Também o faz sentir melhor o fato de não ter feito a barba.
Lembra-se de uma foto que não deu certo, e pensa em como as lentes não captam a alma. Não, as lentes espelham o ser simples.
Os olhos lacrimejam, talvez seja a fumaça. Ele espera até que não mais quer esperar. Suas pernas movimentam-se exageradamente.
E, mesmo depois da presença confirmada, sente-se só. Sente a ausência. De nada adianta poder ver e tocar quando a distância está além da física. De nada adianta, pensa. E isso pesa. E isso dói.
Mas foi-se o tempo em que isso o deixaria triste. Hoje, ele vive um dia de cada vez. E, mesmo depois da ausência tão dolorida (pois tudo que ele queria era a presença), ele pensa que amanhã as coisas serão diferentes, e melhores.
E assim, acalma-se. E novamente, cogita a possibilidade de tomar uma cerveja e fumar um marlboro (os luckies tinham acabado). O faz, e vai.