segunda-feira, abril 24, 2006



(how cute)

sexta-feira, abril 21, 2006


Nada é menos poético do que uma lágrima molhar o teclado
Essa nem borrão causa.

Morte Prematura

Para ele a vida se mede em minutos, o que pode tornar cada momento um momento pra sempre, e cada momento um momento que seja um quase nunca. E tudo assim se repete, repete repete e repete. Rompendo assim o tempo dele, o tempo dos outros, um tempo não mais absoluto.
Ele se foi mas o coração ficou. E ficou batendo. E apesar de toda a hipocrisia, que ele nega enxergar, porque acredita no que homem pode ter de bom, ele ainda acredita. E ah, sim, se ele pudesse, ele seria como todos os outros. Mas é tão dificil negar essa doçura. Doçura essa que chega a enjoar, causar ânsias. Ele não quer ser doce, gentil. Ele simplesmente é, e sem querer acaba se cansando disso. E cansar de si mesmo é tão dificil.
Por alguns momentos, ele queria que um buraco se abrisse, seus pés perdessem o chão e ele sumisse. Por algumas horas, meses, ou talvez os minutos. Morrer por alguns instantes, sabe como é? E torcer pra poder voltar, ou simplesmente ficar.
Mas isso seria tão fácil como fugir com as pernas, ou pensamento. Teimosia essa, de tentar resolver as coisas. As suas coisas. E de mais ninguém.
E enquanto as pessoas ao redor dançam, gritam, pulam e mexem histericamente os braços, ele leva o cigarro a boca e só consegue ver a luz que pisca e ofusca.
E é essa mistura de sentimentos que causa esse tremendo vazio, essa tremenda irritação. Estar descontente com tanta coisa, e estar se sentindo impotente para com isso tudo causa um certo estado de dormência que ele não pode suportar. Quer abrir os olhos, acordar e novamente lavar do rosto tudo isso. Mas não, não dessa vez.
Escuta. Fala. Canta.
E por fim desiste e tenta novamente dormir, esperando que amanhã as coisas estejam em seu lugar, e estarão sim. Ele sempre passa por isso, sempre. Quem sabe seja a hora de tentar diferente.
Ele não pode pedir desculpas por não preencher todo o espaço que lhe cabe.
Ele não pode pedir desculpas por não ser tudo o que esperam que ele seja.

Ele só pode, mais uma vez, rir e dizer as besteiras que sempre fala.
E entender, mais uma vez, compreender tudo. Mesmo quando, no fundo, ele sabe que não é bem assim.
Por que nunca é.

Desculpas, ele pede a si mesmo, por não poder, nesse momento, tornar todas as palavras uma poesia. E, mais uma vez, mesmo na prosa, ele encontra o poema. Poema que não é em si poesia, mas quase satisfaz.
E mais uma vez, nesse quase, ele sente-se um pouco melhor.
Tira os fones que abafam o som, e decide dormir.


E antes de deitar, sente como se todos os comodos da casa estivessem contidos no teto do quarto. E sente como se toda a cidade ali estivesse.
E sente que apesar de tudo isso, ele ainda está sozinho, andando sobre os próprios pés.
Que bom.

quinta-feira, abril 20, 2006

Ciclos

A vida se repete em ciclos, pensa o menino que ainda não sabe o porquê de gostar tanto de pessoas.




Certos sentimentos são tão nossos que qualquer frase do tipo "sei o que você está sentindo" soa tão invasiva quanto qualquer palavra mal dita. Por isso, muitas vezes é bom calar, outras tantas é bom falar, e mais outras é bom ouvir.

Que pena não poder controlar sentimentos alheios, mas que bom que os dele também ninguém pode controlar. E que bom que cada um entende os seus, e que nem todo mundo entende o que se passa.

Ele entende, pode saber. Pelo menos dessa vez, ele entende. E ele está bem, tenha certeza. E mesmo que não estivesse, ele nunca diria.

E por isso tudo, não diz que há pessoas vazias, mas sim pessoas menos cheias. Menos cheias de nada.

terça-feira, abril 18, 2006

And all that Jazz...

Um som diferente embala os pensamentos dele e daqueles que o cercam...
Fluindo pelas portas, janelas, sem rumo e sem escolher destino, essas notas tornam tudo tão mais tranquilo que ninguém se atreve a tocar no aparelho.
Todas as lembranças atreladas fazem os olhos distantes e nublados, forçam pequenos sorrisos de canto de lábio, e vez ou outra, um riso contido.
De que adianta prestar atenção nas vozes e saxofones se a mente concentra-se em lugares alheios?
A música servindo como meio de transporte para pensamentos livres, e o conforto de saber que esses pensamentos são teus, mesmo que longe de ti.

Referências, referências, tuas, dele, minhas... referências que tornam meu dia respingado.

E esse frio que faz com que ele sinta-se aconchegado, em casa, e feliz.

segunda-feira, abril 17, 2006


"riso descontrolado gostoso causado por múltiplos efeitos, inclusive amizade... e hoje várias boas novas quase causaram riso tamanho..."

Segundos

Não são somente duas horas e meia.
São cento e cinquenta minutos.
E não são somente cento e cinquenta minutos.
São nove mil segundos.

E ele não está querendo esperar nove mil segundos hoje.
Não, não mesmo.

sábado, abril 15, 2006

Um dia preguiçoso para ele...
Sente um leve frio nos pés, e resolve ficar em casa.
Talvez devesse ter ido ver os amigos, talvez. Mas não hoje, hoje ele preferiu ficar em casa.
Estirado no colchão, pensando em tudo que aconteceu nessas últimas 48h.
Ele sabe, agora, que realmente está com a cabeça em outro lugar.

Longe, em outro lugar, e em outro dia.
E é só.

quarta-feira, abril 12, 2006

Semana

Toda semana é igual, ele pensa.
Um gole de cerveja.

Agora sua rotina tem pequenas alterações, e isto faz sentir melhor.
Sente um dia mais longo, mais sol na pele, e mais vida. Mas também sente falta daquele sono descompromissado. De qualquer forma, essa semana tem mostrado ausência e falta.
Sim, falta de muita coisa. Pelo menos, ele sente-se mais confortável em casa, e aproveita cada momento em que pode esticar as pernas no sofá, e olha pela janela. Sente-se mais feliz em não tomar café, e em fumar mais do que devia.
Pensa, então, em quanta coisa perdeu nesse tempo todo de sono/trabalho/casa/trabalho.
Perdeu sim, perdeu a noção da importância das pequenas coisas que fazem de uma casa um lar, e de um amigo um irmão.
É, a vida não tem pausas. E não podemos deixar os segundo escorrerem.
Nesta quarta-feira ele pensa apenas na semana que vem. Essa semana não tem prometido nada, essa semana não tem porque existir. Ele quer aproveitar a viagem, ele quer aproveitar as pessoas.
E essa semana está sendo muito vazia.
Sim, talvez seja exagero, mas de qualquer forma, o coração não é como um copo-medida. Simplesmente esvazia-se e enche-se, tão rápido quanto qualquer recipiente, só que menos cabidamente. Coração descabido? Sim, todos temos um. Enche-se de sangue como se fosse sentimento algum, bombeia para longe e novamente, por milésimos de segundo, está vazio.
Isso significa que passa a maior parte do tempo cheio?
Sim, pelo menos o dele.
E isso dá vida, e isso enrubesce a face, e isso faz ele ter vontade de gritar junto com o fim da música de trilha de filme que escuta enquanto escreve.
Quão gostoso é aquele sol que aquece o corpo, faz os pelos arrepiarem e os olhos diminuírem, até quase perderem o verde. Ah, o verde dos olhos, que reflete o verde da grama, que por sua vez molha os pés.
Tudo, neste sistema, reflete algo. E o ser humano insiste em refletir coisas que talvez nunca vão existir.
Pensar é um ato, agir é um fato, disse titia Clarice. Amém.

Hoje ele não exita mais. Simplesmente dá vazão aos sentimentos, seja pela escrita, pela voz ou pelas mãos. E, certamente, se ele soubesse o quanto é gostoso e reconfortante, teria começado a sorrir antes.


Para J.P.D, L.P.J.D, C.C, T.O.