quinta-feira, maio 04, 2006

parágrafo.

um só parágrafo.
somente um, e nele resumir tudo que estou pensando.
um poder de síntese inigualável, deveria ter.
mas não será tão dificil, será?
confusão. melancolia e felicidade súbitas. vontade de viver muito e de morrer logo.

e agora? o que sinto realmente?

quarta-feira, maio 03, 2006

Parangaricotirimírruaro

um céu cinza
o asfalto preto
a grama verde
e os pés param
olhos verdes e fixos
um ponto único
horizontal e absoluto
verdadeiro
um quarto na rua
uma rua na cidade
uma cidade que coube nos olhos
e um universo...
universo contido no pensamento.
pensamento incontido.
quem sou eu?
sou alguém que escreveria um conto se pudesse.

uma frase, um poema e uma música.

"Os verbos chineses não tem tempo. Eu também não."
(Hilda Hilst)
Dezessete palavras:
Eu não quero alguém que diga que me
ame.
Eu quero alguém que nem precise
dizer.
Patrão Nosso de Cada Dia
(Secos&Molhados)
Eu quero o amor
Da flor de cactus
Ela não quis
Eu dei-lhe a flor
De minha vida
Vivo agitado
Eu já não sei se sei
De tudo ou quase tudo
Eu só sei de mim
De nós
De todo o mundo
(...)
Eu solto o ar
No fim do dia
Perdi a vida
Eu já não sei se sei
De nada ou quase nada
Eu só sei de mim
Só sei de mim
Só sei de mim
(...)
mim
mim
mim
?

terça-feira, maio 02, 2006



...e chega de sagas românticas!



(agora a única história de amor é minha comigo mesmo)

segunda-feira, maio 01, 2006

camafeu

carregaria no pescoço se pudesse
esse teu rosto desenhado
de camafeu.

prenderia grampos no teu cabelo,
passaria pó no teu rosto
mas você não precisa.

tentaria entender e imaginar
tudo que sente e pensa
mas não preciso.

beleza complexa essa
que combina traços finos
e personalidade densa.

menina de camafeu,
és mais que amiga
és jóia.

(de valor inestimável)

para Débora.

mais leve que luz

momento de leveza e toda essa
transparência
me faz pensar no porquê
de tantas antes
nuvens

é só abrir os olhos pra enxergar
e os ouvidos pra
escutar o som descompassado
do
sentimento
pensamento
fluído
leve

e não importa que dia da semana é
que dia do mês do ano
e que horas são
existo independentemente do calendário
e da
presença

seja eu por um instante
e entenderás.

ou não.
apenas pensará que entende
e assim
confundirá tua vida
com a
minha




e assim, saberá que ser não é tão fácil
e que muitas vezes não basta

sábado, abril 29, 2006

anseio

I

quero ter essa dor, que talvez um dia passe
amanhã.
quero saber o que se passa hoje
ontem.
e quero sentir o que penso
sempre.

talvez se tua voz fosse mais áspera
e tuas mãos mais distantes
e teus olhos tivessem sempre a mesma cor
e tuas costas fossem só tuas
eu não sentisse nada

prozac; fluoxetina. ritalina.
agito-me acalmo-me
mas o pensamento corre solto
e em tua direção

por que você não some?
(porque sou eu que quero sumir?)
porque você não volta?
(porque sou eu que quero ir?)

chega de perguntas.
agora quero Respostas.




II

quem um dia disse que há Respostas?
tolo.
quem um dia encontrará a verdade?
mais tolo.

nessas frases sem ponto
e nesse contexto sem rima
e nesse meio tempo sem segundos
espero.

e tudo bem, são anseios só meus
e de mais ninguém
um palco todo só pra mim
sem luz, sem som, sem chão.

e sem platéia.


mas quem precisa de aplausos?



para T.O.

sexta-feira, abril 28, 2006

tolices

Ele fecha os olhos, quer apenas dormir. A poesia não serviu, não encaixou-se no pensamento. E quem disse que ele quer poesia?

"Quem sabe eu seja realmente um idiota", ele pensa.
Talvez seja. Em alguns momentos tem desejado explodir, ter uma roda de onibus sobre a cabeça, ter um buraco sob os pés, uma lâmina, uma pílula.

É disso que ele precisa? Não. Ele bem sabe. Está apenas cansado, está apenas confuso.
Olhar pela janela ao amanhecer quase cega. Ele pensa que as vezes queria ser cego para poder não ver. E assim, o coração não sentiria. Mentiras populares.

Um banho quente.
Um café quente.
Um dia frio, mais um.

Quem sabe esse descompasso no peito seja um coração doente.

E todas, todas as tuas referências que me fazem lembrar que você está "meio namorandinho" me fazem sentir nojo.

De mim mesmo.

Sim, ele sou eu. E quem nunca soube, além de mim mesmo?
Proximidade que machuca, distância que dói, desinteresse bobo.
Dependo de tua respiração para inflar os pulmões? NÃO!

Queria estar livre de ti, mas não estou.
Queria que você voltasse, mas você ainda não voltou.

E quem sabe nunca volte, e quem sabe eu nunca quis, e quem sabe tudo isso não passe de tolice.
E, por fim, quem sabe essas palavras nem sejam minhas.
É mais fácil serem tuas, serem de qualquer um, menos minhas.

Hoje, neste momento, sinto não possuir nada. E mesmo sabendo que palavras não tem dono, é como se não fossem nem ao menos conhecidas.
Assim como o coração.
O meu foi teu, e agora é de ninguém.

quinta-feira, abril 27, 2006

de isopor

"Tudo o que vejo é inconsistente
E nada aprendo, tudo se desmente
Nada do mundo, desde o começo
Eu não conheço, eu não entendo
Vou querer tomar veneno
Vou querer dissimular
Vou ter crise de comportamento
Vou sorrir querendo chorar
A música é feita de sons
E os sons são feitos de ar
E agora que a banda passou
N a d a v a i f i c a r "



(nada de "pára esse carro sobre a minha cabeça" ou de "eu quero que um buraco me engula" e muito menos de "a ponte talvez seja alta o suficiente", a solução é mais simples que tudo isso: deixe de ser bobo).

quarta-feira, abril 26, 2006

"Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento"
Clarice Lispector





sempre quis uma foto de nariz de palhaço.
semana de imagens. preguiça de escrever e confusão mental.