terça-feira, maio 23, 2006

coisas

tem coisas que não são ditas pra seis bilhões de pessoas.
e coisas que não dizemos nem pra nós mesmos.
e no meio de todo esse programado e esperado recomeço, ele recomeça a escrita.
em terceira pessoa.
ele nem sabe mais do que gosta ou desgosta, e de quem esperar colo.
ele nem sabe.
nem quer saber. está arranhando paredes e mordendo quina de mesa.
está gastando os dentes na estante e as unhas no assoalho que não se risca.
gastando tinta em azulejos e dedos no teclado. sem som, e sem notas.
não quer esperar cabelos crescer, não quer cortar as unhas.
não quer ter mais paciência e não quer mais se preocupar.

quer dormir, acordar, e ter tudo ensolarado.
e frio.
inverno é assim. um sol fraco, que eriça os pelos, mas aquece.
e faz sentir o coração morno.

mesmo quando vazio.

quinta-feira, maio 18, 2006

meio

No banho agora me senti meio folha-de-outono: quase uma não-folha de um quase não-verde-meio-amarelado,

no galho de uma não-árvore, meio que perdida no meio de tantas outras.
numa cidade meio-grande, com meio milhão de gente.

É como se não existisse...

E o que é o existir se não ser percebido?

Quase que me sinto deitado na grama como uma folha,
podendo estar sob os teus pés,
esperando que o vento me empurre.

Ah! Pára! Devaneio tolo de central park no outono em NY!

gling-gló

ouvindo uma jazzy-bjork, parece que o dia encurta-se um pouco.
os dias tem sido tão longos e tão cheios, e as noites não parecem suficientes para o descanso.
(calma, você é tão jovem...)
parece-me que as festas tem sido mais sem graça, e as pessoas estão sempre lá.
e eu não.
e a calma, essa eu perdi.
faz tempo.
comigo, e com tudo.

e o céu cheio de cor.
e os olhos pálidos.
e o verde cada vez mais amarelo,
assim como a pele.

e assim é o inverno.
corpo e coração frio.
eu gosto.

mas preciso de um pouquinho de calor hoje.

quarta-feira, maio 17, 2006

Por que a felicidade não combina com a minha escrita?
Nesses momentos de felicidade simples não consigo escrever nada que me agrade. O dia todo escrevi e apaguei textos aqui.
Mudanças demais, acontencedo muito rápido, uma volta completa e estou no mesmo ponto, mas com uma visão diferente.
Aceitei os riscos, mergulhei de cabeça.
E nisso tudo, somente o coração permanece intacto e na mesma situação. E pra ser verdade, nem importa. Falta tempo pra ele.
E nisso tudo, no meio de palavras, argumentos, perspectivas, vejo que tudo vai ser melhor.

E logo.

E me acalmo, me sinto melhor.

ouvindo "el perro del mar"

sábado, maio 13, 2006

quinta-feira, maio 11, 2006

voltei pro luckie. os marlboros acabaram.

escuto chuva, aqui dentro e lá fora.
tirei o tenis molhado, o jeans molhado, e fiquei com o suéter.
parei pra pensar em como tenho me apaixonado cada vez mais pela música, pela arte.
pelas palavras e letras e pontos.
isso me deixa tão sem rumo.
e já estou suficientemente perdido.
algumas coisas que eu queria que ficassem se foram.
mas não a enxaqueca.
o cigarro.
o piano.
a voz.

as vezes tudo que escrevo parece tão melancólico e contradiz o que sou.
ou pareço ser. mas meus momentos plenos tem sido tão contados, tão reduzidos, que começo a entender a beleza do que é a little blue. e fico feliz.
(contradição novamente.
estou contradito, contraditório. em conflito.
e em primeira pessoa.)

tateando a parede no escuro até o banheiro, colorido de tinta, vejo o quanto posso ver mesmo quando falta a luz.
ou será que é o quanto quero ver. posso, quero?
"errado é aquilo que sonhamos". certo é o que fazemos?
quero errar mais. ainda mais.

tem coisas que não posso explicar.
por exemplo, o que sinto agora.
terminou o cigarro, e o texto.

agora ao invés de fumaça, meu mundo é de água.

feliz de quem ler o que aqui está escrito.
sinceramente, não sei por quanto tempo ficará por aqui.


ao som de "moedas de açúcar".

quarta-feira, maio 10, 2006

manoo.


Amo, amo, amo, manoo.
te quiero. pra sempre.
forever.
te sei.
e tu me entende.
e o banheiro tá de prova.
e todo mundo que passar por lá. tá?

tentativas de escrita:

1) aqui, neste blog;
2) nas paredes do banheiro com caneta marcador permanente (embalado por maria da cruz e uma vontade imensa de gritar e não poder por já passar das 22h);
3) no jornal e na parede da sala;
4) no email que nunca, mas nunca meeeeeeismo, vou mandar.

terça-feira, maio 09, 2006


Tão bom quando um corpo encontra o outro, assim, descompromissado.
E quando faz as suas promessas, assim, sem querer.
E assim, no outro dia, sente falta dos pedaços que deixou,
e conforta-se com aqueles que foram esquecidos no lugar.
Tão bom quando as frases se completam nos olhares,
e quando se brinca que completar pensamentos.
E acertos existem.
Tão bom quando se sente o cheiro certo no corpo certo
e o gosto certo na boca certa
e o toque certo no lugar certo e na hora certa
e o sentimento certo pela pessoa certa.

(Existe certo e errado?)

Aquela camisa que adoro, que nunca usei pra ninguém, a não ser pra mim, e que tu tira rápido demais pra que eu perceba.
Aquele sorriso que você desmonta somente olhando, ou aquele bocejo que você espanta rindo.
Aquele sexo tão bom, mas que não é tudo.

Aquilo tudo denovo, e pela última vez.
Não, não estou morrendo.
Você é que está. Pelo menos, neste aspecto.

hahahahahaha.
(Esse é meu primeiro homicídio)










"I'll always be by your side Even when you're down and out I'll always be by your side Even when you're down and out I just wanted to be your housewife All i wanted was to be your housewife I'll iron your clothes I'll shine your shoes I'll make your bed And cook your food I'll never cheat I'll be the best girl you'll ever meet And for a diamond ring I'll do these kinds of things I'll scrub your floor Never be a bore I'll tuck you in I do not snore I'd wear your black eyes Bake you apple pies I don't ask why And i trys not to crys I'll always be by your side Even when you're down and out I'll always be by your side Even when you're down and out And its nearly midnight And all i want with my life Is to be a housewife Is to be a housewife 'Cause it's nearly midnight And all i want with my life Is to die a housewife Is to die a housewife"

"o garoto mais triste de todos que já segurou um martini"

Deixaste pedaços de ti por todas as partes. Palavras, cheiros e gestos impregnaram todos os comodos. Essa casa não serve mais para mim. E isso me entristece ainda mais.
Acertou em cheio quando me olhou. Desmanchou minhas palavras. Contigo, tenho apenas dois estados: falante, empolgado, ou silencioso, pensativo e carinhoso. Faz-me falar muito, expressar toda a felicidade contida no olhar, ou simplesmente calar, pensar e admirar. Admirar é querer o que não se pode ter.
Concordo, agora.
Tuas palavras ecoam perdidas, tiram-me o sono. Um cigarro, dois, vinte. Café para acordar, pílulas para dormir. E nada tira você de dentro de mim. A vontade de te olhar, de te ligar. A vontade de sentir um braço sobre meu corpo quando deitado, tua respiração mexendo o meu cabelo.
Você não some. Se faz sempre presente, mesmo na ausência. Tenho tuas referências por toda a parte, em todos os móveis, lugares, trajes. Fiz de algumas palavras tuas minhas, e de algumas coisas minhas tuas. E assim criei, junto contigo, uma convivência firme.
Precisamos um do outro. E de formas diferentes. E isso machuca, só a mim.
De qualquer forma, me faz bem. Não, não é masoquismo. É acreditar que logo passa, que tudo ficará bem, e que um dia vou entender tudo que se passou.
E saber que agi certo, que somos realmente bons amigos. Porque somos.

Quem dera eu pudesse simplesmente deixar todo o romantismo intrinseco de lado.
Quisera eu agir diferente.

Já assumi minha parcela de culpa. Agora só falta digerir.
E enquanto isso, apreciar o mundo que passa em camera lenta bem na frente dos olhos.


(O coração dos Leões)