você nem existe e as vezes penso em você.
sim, como se eu imaginasse cada momento que passaríamos juntos.
e se cada momento existisse, o quão bom seria.
e enquanto você contempla esse quase oceano a sua frente, e seus cabelos se mexem sozinhos, me sinto sozinho.
e tenho o oceano de verdade pra mim.
o que importa, então?
um quase oceano ou um oceano de verdade?
a existência tua ou a minha solidão?
o que importa é que sei que conforme as ondas batem nas pedras, meu coração segue o ritmo.
independentemente de quantas ondas eu perceba, e de quantas existam, e de quantas... ah, quantas, e inúmeras são essas ondas... que levam e trazem delírios de sra. woolf no banco do onibus e batidas de carros e de corações.
quantas pessoas no mundo hoje, sozinhas, olharam o mar?

em total desequílibrio, buscando paz ou simplesmente esperando o tempo passar, acompanhando a erosão e sentindo fazer parte do mundo pelo simples fato saber que existe um mar, observando.
e assim os minutos passam, seguros e decididos, para mim e para ti.
de formas diferentes, pois você não existe. e nenhuma trajetória pré-estabelecida de onibus impede que eu vá para longe.
perto de ti, longe de mim e vice-versa, sempre haverá um oceano.
entre nós.
entrenós.