domingo, dezembro 16, 2007

Sucessão de cores: asfalto preto - grama verde - asfalto preto - grama verde - mar verde (ou seria azul) - céu azul - montanha cinza. E entre tudo isso arvores plantadas pra que você não se sinta sozinho.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Quase ninguém sabe, tampouco eu. Mas gostaria de saber. Tudo que se esconde por detrás destas cortinas pode ser perigoso. Mas é sempre no perigo que as verdades surgem, tão nuas como devem ser. E ouvir verdades é dificil, vê-las ainda mais.

Quero menos verdades, quero mais sonhar. Quero poder acreditar cegamente e esquecer que tudo que rodeia, real, depende de quem vê. E essa tenue verdade teima em se desfazer.

Sol e calor fazem tudo derreter. Me sinto sem texto, sem voz, sem roupa.
Me sinto nu em frente ao mundo que teima em se desfazer.
Derreter.

sábado, dezembro 01, 2007

Meio turvo, meio perdido. Quando se vê tudo assim, talvez seja a hora de fechar os olhos. E assim, de olhos fechados, nada ver. Menos turvo, o escuro parece abraçar. E talvez conforto se tenha quando a luz não pode entrar.
Imaginar mãos, pés, pernas e cabelos. Imaginar. Sentir é tão fácil de olhos fechados! Maldita realidade que faz o sonho despedaçar. E a luz quando chega faz tudo tão claro e tão vivo que a vida assim se desfaz.

Ou começa.

Essa sensação de começo, de abrir de olhos ao amanhecer faz tudo parecer palpável. É como se ao comer sentissemos as particulas correndo na corrente sanguinea. É como se ao tocar sentissemos as pequenas interações elétricas entre as superficies. É como nascer a todo momento.
É como voltar de um passeio sem volta.

Acordar tem sido dificil. Dormir também.

sábado, novembro 24, 2007

Nesses momentos de tranquilidade e calor é que a escrita foge. Sinto como se nada houvese a dizer, e sendo assim nada escrevo. Mas percebe-se também o valor destes momentos quando se lê o que escrito já está.

E como é bom novamente poder respirar.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Mergulhar tão fundo para ver quão belo é o que há por debaixo da superficie requer o esforço de nunca se esquecer de subir para respirar.

quarta-feira, outubro 24, 2007

segunda-feira, outubro 22, 2007

Eis que levanta tomado pelo sono. Lembra-se de alguns sonhos mais intensos e enfia-se embaixo do chuveiro, desnecessariamente quente.
Esquece alguns fios de barba sem aparar, embaixo do pescoço.
Acorda finalmente, após escovar os dentes. Estranho dia este... nem cinza, nem ensolarado. Ainda um dia híbrido, sem cor ou sem escuro.
As pernas desta calça são por demais longas! Cuidadosamente dobra as barras apenas na parte de trás, de modo que não pise sobre elas.
Sem querer, parece que não foi por querer.
Já no onibus, sentado ao lado de um estudante de engenharia (certamente era), olha para o mar, tão cinza quanto o céu deste dia hibrido e estranho. Este mar, devido a luz difusa de um dia nem nublado nem ensolarado, parece com gelatina. Parece menos liquido, parece mais denso. Seria hoje possível caminhar sobre ele? Talvez, como no Mar Morto, não afundar? Talvez. O dia está tão estranho que estranho poderia ser o mar. E afundar seria menos estranho do que admitir que não queria ver o sorriso. Um sorriso que não desejava. Pela primeira vez.

You make me sick, that's all.

(Quero me mudar para outra galáxia)

quinta-feira, setembro 27, 2007

Um prato sujo sobre a mesa. Olhando para o prato, me pergunto: o que foi servido aí? Pelos restos, pode-se deduzir nada suntuoso ou saboroso, porém e o que há por trás? Um prato nunca é só um prato. Um prato só existe se alguém está ali para comer sobre ele, ou deixa de ser prato. Só há prato quando há alguém para lavar depois, pois senão não tem razão.
Depende de ser gente pra ser prato, depende de ter comida pra ser prato, depende de ser para ser.

Depende de existir para haver, e assim, existindo algo, sempre existe algo a mais. Pode-se deduzir que nada existe sozinho, então?

Sim. E não.
Lavar as mãos, lavar o rosto, lavar as mãos.
Escovar dentes e em passos lentos seguir, para tomar um café e fumar um cigarro em passos lentos e seguindo. E são tantos passos quantos os goles de café, e são tantos passos quanto tragadas do cigarro. Arfando, chegar, parar, sentar, inspirar.
É como se nunca tivesse feito o percurso, nunca tivesse existido. Por entre harpas e anjos, um caminho desconhecido, diretamente para a boca. Sem escuridão, seus dias são estranhos e arredios, fogem por entre os dedos. Sem escuridão, a luz serve para quê? Sem a dor, pra que prazer e alívio? Sem velhice, por que juventude?
Sem pedaços, por que ser inteiro?
Palavras ecoando, saindo de centenas de bocas alheias, atrapalhando o percurso de luz. Como incomoda ser parte do coletivo. Por que somente dois? Como se houvesse apenas uma metade para completar? Como calcular de quantas partes somos feitos é desconhecido. E seguindo vagabundas placas sempre se chega aonde quer...

E para que grama, se é proibido pisar nela?

domingo, setembro 02, 2007

Tinha poucas certezas e menos palavras. Tinha ainda menos senso de humor, nessas horas. Mas sorria irresponsavelmente e ninguém reclamava. Sorria pra não rir, de si mesmo ou de alguém. Mas acima de tudo, de si mesmo.
Ah, conhecia seus defeitos tão bem. E esses sorrisos não são simpáticos, são defensivos. Ninguém se preocupa com sorrisos.

Mas ele sim. Talvez devesse começar a economiza-los.

Quando aquela musica tocou, e todo mundo dançava como se fosse qualquer musica, talvez não fosse. Era a musica dele, apenas dele, naquele momento. E ninguém sabia, nem se atreveu a discutir o assunto. Nem ele.

E era uma musica melancolicamente disfarçada de feliz. Como ele.

E aquele conflito volta a bater na porta: quantos anos merecia ele ter?

Depois de tudo deixar aparecer, na frente de quem talvez nem saiba quem ele era, já não é mais. E deixou muita história pra contar, aquele ser que ele era antes de ser denovo.