É sempre um ciclo, ele disse a si mesmo antes de continuar a lamentar em silêncio o que não acontece. E, esperará mais, assim. Esperará na inércia da impotência do agora. Esperará entre guitarras distorcidas, línguas que se torcem e olhos que se fecham. Esperará entre corpos que se entrelaçam e mãos que se distanciam. Mais um momento vai esperar pelo segundo mais longo. Aquele segundo onde a tensão é quebrada, onde os olhos se olham, onde a verdade não dói e onde o corpo é apenas extensão do outro.
Mais um segundo vai esperar pelo momento mais longo, aquele momento onde nada satisfaz, onde os olhos se perdem, onde a consciencia, esvaida copo abaixo, engolida, volta a tona, faz sentir.
Mas, se nessa espera nada acontece, e a consciencia permanece obtusa, escorregadia talvez, se nessa espera a consciencia se faz ausente, tangencial, nada pode fazer.
Melhor assim, sem sentir.
Pois o tempo passa, e são tantas, tantas vontades.
Mais que palavras.
"Lave
A minha memória suja neste rio de lama,
A extremidade da tua língua me limpa por toda parte,
E não deixa mais o mínimo vestígio
Daquilo que
Me prende e que me cansa.
Infelizmente!
Cace,
Persiga-o em mim, é apenas em mim que ele vive,
E quando o tiver na extremidade do teu fuzil,
Não ouça se ele te implorar,
Você sabe
Que ele deve morrer de uma segunda morte
Então,
Acaba com ele... outra vez.
Chore!
Eu tenho feito isso antes de você e não adiantou nada,
Quão bom é os soluços (de choro) inundarem as almofadas?
Eu tentei, eu tentei
Mas tenho
O coração seco e os olhos inchados
Mas tenho
O coração seco e os olhos inchados
Então queime!
Queima no momento em que se envolve na minha grande cama de gelo
A minha cama como uma banquisa que derrete quando você me entrelaça
E mais nada é triste
E mais nada é grave
Se tenho...
O teu corpo como uma torrente de lava
A minha memória suja neste rio de lama
Lave!
Lave!
A minha memória suja neste rio de lama
Lave!"
segunda-feira, abril 12, 2010
quinta-feira, março 11, 2010
Aqui estou novamente imaginando como poderia ter sido, e se, sido assim, como seria o hoje. E o presente passa em velocidade diferente, e tudo parece se arrastar no pensamento preso no antes. E me pego imaginando com quem, como, porquê e talvez, até, se isso tudo aconteceu.
Ou se ainda vai acontecer.
Tenho tanto tempo pela frente, aparentemente, e tão pouco se passou, que não faz sentido.
Deveria fazer?
Ou se ainda vai acontecer.
Tenho tanto tempo pela frente, aparentemente, e tão pouco se passou, que não faz sentido.
Deveria fazer?
quinta-feira, março 04, 2010
Da série ensaios: Da mudança, e por si permanência.
De tudo que se passou desde a ultima vez que escrevi aqui o mundo pouco girou. Tremeu, é verdade, mas tudo permanece intacto, vigas para o alto sustentando tetos que não deixam o céu entrar. Tampouco a chuva. E se, de cada estrela a luz permanece, nada se viu desde então. E se de cada gota que caiu o som se fez, nada se ouviu. A inércia é completa, de tímpano a coração.
E se, de tudo que se passou desde o ultimo ponto final algo restou, esse algo foi o espaço depois do ponto, esperando a maiuscula seguinte, a nova sentença, algo diferente. Pois se o foco mudou, e faz bem, e promete ser melhor, e promete ser pro futuro e pra muito mais, algo ficou pra trás. Uma parte do ser, ignorada friamente para que o foco permaneça.
E se, na maiscula a frase se faz, inesperada e contundente, quebrando, ecoando e fazendo sentido ou não, é por que algo faz falta. Aquela parte ignorada se impõe, cresce, grita. Dói. Foco, foco, foco. Foco, vai ser melhor. Vai fazer bem. Está sendo assim.
Foco.
Desfeito. Reticências. Ponto ponto ponto. E se a mudança esperada acontecer, do outro lado, porém, nada muda. E vai acontecer. E nada vai mudar. E assim terei mais, serei mais, e muito mais, porém, ainda, incompleto.
É como a palavra sem acento. Ela é, ainda, por si só, o que deve ser. Compreensível também. Mas não é a mesma coisa.
Vai ser melhor. Me faz feliz saber.
Mas,
ainda espero. Como sempre. E como sempre, me repito.
E se, de tudo que se passou desde o ultimo ponto final algo restou, esse algo foi o espaço depois do ponto, esperando a maiuscula seguinte, a nova sentença, algo diferente. Pois se o foco mudou, e faz bem, e promete ser melhor, e promete ser pro futuro e pra muito mais, algo ficou pra trás. Uma parte do ser, ignorada friamente para que o foco permaneça.
E se, na maiscula a frase se faz, inesperada e contundente, quebrando, ecoando e fazendo sentido ou não, é por que algo faz falta. Aquela parte ignorada se impõe, cresce, grita. Dói. Foco, foco, foco. Foco, vai ser melhor. Vai fazer bem. Está sendo assim.
Foco.
Desfeito. Reticências. Ponto ponto ponto. E se a mudança esperada acontecer, do outro lado, porém, nada muda. E vai acontecer. E nada vai mudar. E assim terei mais, serei mais, e muito mais, porém, ainda, incompleto.
É como a palavra sem acento. Ela é, ainda, por si só, o que deve ser. Compreensível também. Mas não é a mesma coisa.
Vai ser melhor. Me faz feliz saber.
Mas,
ainda espero. Como sempre. E como sempre, me repito.
sexta-feira, janeiro 08, 2010
Meus olhos teimam em cair, fechar.
Mas agora não.
Ou sim, permito.
No sólido preto, escuro, sem sonho, nada existe além de mim.
Pois se, depois de espada, escudo, elmo, sangue nas mãos;
Depois de palavra, verbo solto, adjetivo, adjetivo, substantivo vão;
Se depois de tanto tanto a imagem não faz jus,
seria jus ao que vê o coração?
Espero que não.
Não pode ser tão grande a ilusão. Tão grande o não ver.
Você deve ser maior que isso, que o que vi naquela imagem, que o que vi naquele dia.
Maior do que o escuro sólido da solidão de agora.
De olhos fechados.
De corpo aberto e ouvidos atentos.
Mas não são teus passos, e sim o vento que faz tudo deixar o silêncio então.
E, na solidão de agora, no som que agora escuto, você é vão.
E de vão se fez presente,
e a presença se fez ausente,
e no fim, quase no fim,
encontrei um sonho vazio de mim.
E se o mar me trouxe você um dia,
em pensamento, hoje o vento leva o que sobrou.
O que sobra para mim?
(Des)Contentamento?
Sonhe comigo, um dia, por mim.
E me deixe saber. Talvez assim, talvez,
sintamos o que é ser dois.
"if you don't eat yourself you'll explode instead"
Mas agora não.
Ou sim, permito.
No sólido preto, escuro, sem sonho, nada existe além de mim.
Pois se, depois de espada, escudo, elmo, sangue nas mãos;
Depois de palavra, verbo solto, adjetivo, adjetivo, substantivo vão;
Se depois de tanto tanto a imagem não faz jus,
seria jus ao que vê o coração?
Espero que não.
Não pode ser tão grande a ilusão. Tão grande o não ver.
Você deve ser maior que isso, que o que vi naquela imagem, que o que vi naquele dia.
Maior do que o escuro sólido da solidão de agora.
De olhos fechados.
De corpo aberto e ouvidos atentos.
Mas não são teus passos, e sim o vento que faz tudo deixar o silêncio então.
E, na solidão de agora, no som que agora escuto, você é vão.
E de vão se fez presente,
e a presença se fez ausente,
e no fim, quase no fim,
encontrei um sonho vazio de mim.
E se o mar me trouxe você um dia,
em pensamento, hoje o vento leva o que sobrou.
O que sobra para mim?
(Des)Contentamento?
Sonhe comigo, um dia, por mim.
E me deixe saber. Talvez assim, talvez,
sintamos o que é ser dois.
"if you don't eat yourself you'll explode instead"
quarta-feira, janeiro 06, 2010
Quando tudo se acalma depois de tanto vento, turbulência, aterrisar é estranho e... frio? É como se tudo tivesse sido calor, campo de batalha. É como se cada compasso do coração batesse mais forte durante o que foi, e, sem saber o que vem, virasse um descompasso lento e gelado. Dolorido.
Reconstrução. De dias, meses, anos. Idéias, pessoas e vontades.
Se der vontade, termino depois.
Reconstrução. De dias, meses, anos. Idéias, pessoas e vontades.
Se der vontade, termino depois.
terça-feira, dezembro 22, 2009
Da série ensaios: o Ócio, ou do pensamento solto.
Quando me sinto assim solto, sem amarras de tempo ou alguém, o pensamento solto segue e me faz ir e vir pelo tempo que vivi e viverei. Sim, pois planos para o futuro se misturam com o que o passado guardou, e nessa mistura me vejo sempre perdido.
É como se na vida as rédeas fossem de alguém que não eu.
Entusiasta? Talvez, mas para mim, apenas coragem.
E quando revivo em detalhes o tempo passado me sobra apenas saudade. E quanto vivo em detalhes o que quero do futuro, ansiedade. Mas, sendo assim, qual a dificuldade do presente?
E se, me falta companhia para este presente e minha própria companhia hoje me entedia volto a sentir necessidade do coletivo.
E se pensar me faz sentir sozinho, prefiro deixar pra lá.
Banho, almoço, fazer malas. Deixar o dia me guiar.
E talvez, a noite, enviar estes emails que estão escritos e ainda não saíram da pasta de rascunhos.
Talvez.
É como se na vida as rédeas fossem de alguém que não eu.
Entusiasta? Talvez, mas para mim, apenas coragem.
E quando revivo em detalhes o tempo passado me sobra apenas saudade. E quanto vivo em detalhes o que quero do futuro, ansiedade. Mas, sendo assim, qual a dificuldade do presente?
E se, me falta companhia para este presente e minha própria companhia hoje me entedia volto a sentir necessidade do coletivo.
E se pensar me faz sentir sozinho, prefiro deixar pra lá.
Banho, almoço, fazer malas. Deixar o dia me guiar.
E talvez, a noite, enviar estes emails que estão escritos e ainda não saíram da pasta de rascunhos.
Talvez.
quinta-feira, dezembro 17, 2009
Da série ensaios: Inspiração, ou aquilo que me traz o mar.
Não tenho mais nada a dizer sobre o assunto, e ele é tão recorrente que me sinto aprisionado. Aprisionado como naqueles dias de calor, onde tudo é úmido e cansativo, onde nada flui. Onde até mesmo o mundo parece parado. Mas daí vem o mar, traz brisa, maresia, movimento, faz tudo voltar a viver, faz tudo verão.
Faz tudo ter sentido. E traz o pensamento de que não tivemos isso, eu e você. Não tivemos praia, calor. Não tivemos a sensação de pele na pele, areia, sol. Só tivemos bater de dentes, a noite, antes de dormir. Só tivemos nosso próprio calor. E esse calor não foi suficiente, dissipou.
Dos males da ilha, esse sentimento de verão eterno é um dos piores. Esse sentimento de que nunca nada será seu, de que tudo o mar leva e traz.
Se levasse a saudade, o tesão, a cor dos olhos e os motivos de tantas palavras, que, sinceramente, já não sei mais, seria bom. Mas ah, isso ele só traz.
Ou talvez essa inspiração seja o que resta. Ainda bem.
Infelizmente só escrevo bem na falta de ti (e por ti entenda-se o dois) ou na melancolia, e enquanto essa inspiração durar, nenhum dos dois me fará falta.
Assim espero.
Faz tudo ter sentido. E traz o pensamento de que não tivemos isso, eu e você. Não tivemos praia, calor. Não tivemos a sensação de pele na pele, areia, sol. Só tivemos bater de dentes, a noite, antes de dormir. Só tivemos nosso próprio calor. E esse calor não foi suficiente, dissipou.
Dos males da ilha, esse sentimento de verão eterno é um dos piores. Esse sentimento de que nunca nada será seu, de que tudo o mar leva e traz.
Se levasse a saudade, o tesão, a cor dos olhos e os motivos de tantas palavras, que, sinceramente, já não sei mais, seria bom. Mas ah, isso ele só traz.
Ou talvez essa inspiração seja o que resta. Ainda bem.
Infelizmente só escrevo bem na falta de ti (e por ti entenda-se o dois) ou na melancolia, e enquanto essa inspiração durar, nenhum dos dois me fará falta.
Assim espero.
quarta-feira, dezembro 16, 2009
Da série ensaios: do Físico, ou aquilo que permanece na distância;
Por mais distante que aqueles dias estejam, na inevitabilidade do tempo passado, partes suas permanecem quase que físicas ao meu toque, de tão próximas ainda. E a noite, na lembrança que vem, fulminando, o sono vai. E o que permanece na distância é o físico.
É como se nada mais existisse a não ser a lembrança do toque. Da textura, do cheiro, sensação. Sentimento que escorreu pelos dedos de uma mão fechada, como se fosse água salgada, deixando somente areia na palma, fazendo sentido mais uma vez.
E na perspectiva do não ser/acontecer/ter tudo se vai alegre e continua a existir. E todas as vidas paralelamente construídas continuam a se desconstruir para logo reconstruir. E todos os caminhos continuam a se cruzar e os olhos continuam a ver exatamente as mesmas cores. Hoje, talvez, eu seja melhor do que antes de você. Mas, certamente, não melhor do que quando com você. E o que quase físico é assim permanece na sua existência de caco.
Não quero mais ser dois, compreendo essas partes tão distantes e presentes, e que permaneçam assim. A não ser que tudo fosse diferente. A não ser que tudo fosse sexo. Pois sim, de tudo que foi, o físico permanece.
É como se nada mais existisse a não ser a lembrança do toque. Da textura, do cheiro, sensação. Sentimento que escorreu pelos dedos de uma mão fechada, como se fosse água salgada, deixando somente areia na palma, fazendo sentido mais uma vez.
E na perspectiva do não ser/acontecer/ter tudo se vai alegre e continua a existir. E todas as vidas paralelamente construídas continuam a se desconstruir para logo reconstruir. E todos os caminhos continuam a se cruzar e os olhos continuam a ver exatamente as mesmas cores. Hoje, talvez, eu seja melhor do que antes de você. Mas, certamente, não melhor do que quando com você. E o que quase físico é assim permanece na sua existência de caco.
Não quero mais ser dois, compreendo essas partes tão distantes e presentes, e que permaneçam assim. A não ser que tudo fosse diferente. A não ser que tudo fosse sexo. Pois sim, de tudo que foi, o físico permanece.
quarta-feira, dezembro 09, 2009
Da série ensaios: a Memória, ou como caminhar pelo cais.
Sim, ainda me lembro dos segredos da tua anatomia. Aquelas pequenas coisas que se percebe no corpo e que são tão pequenas. Aquelas pequenas inseguranças que nunca fazem diferença.
Também lembro do gosto, de vários gostos. Do beijo de manhã, do beijo a noite, depois do cigarro, da pele do pescoço.
Lembro bem demais do cheiro. Do teu e do perfume.
Da intenção do sorriso, da expressão de felicidade, da expressão de inevitabilidade.
Lembro das tuas calças, tênis, do suéter, da camiseta.
De várias primeiras palavras, de todas as ultimas. De algumas no percurso.
Me lembro principalmente das boas, e isso não é tão bom quanto parece.
Mas, ao fim de todas as lembranças, me esqueci de muita coisa.
E isso me fortalece. Me faz ver o novo, me faz ir além.
É como o fim do cais: há um mar adiante e um caminho atrás. Pode-se percorrer um caminho já feito, ou mergulhar no novo. E dentro da metáfora menos criativa que ocorreu, uma verdade: na insegurança de nadar adiante, esperei olhando para trás.
Até então, até me molhar. De lágrima, chuva, mar, alcool. E depois de tudo ensopado, secar ao sol e seguir molhado.
As lembranças seguem junto, doces, serenas. Não mais acima do mar, no caminho do cais, mas sim dentro dele, fazendo parte do novo. E se no físico não tenho mais, se andei sozinho pelo cais, a memória permanece e sempre será boa.
E a bondade disso é que surpreende. Até me atrevo a pensar que...
Me encontre em alto mar. Agora já não importa se sei ou não nadar.
quarta-feira, dezembro 02, 2009
da série ensaios: Ilusões, ou como Enxergar o Amor onde ele não está;
É tão fácil que chega a ser corriqueiro. Esconder-se em sorrisos, palavras soltas ao vento ou abraços o amor não se esconde. Nem tampouco em longas conversas a distancia. Senão já teria sido encontrado.
Minhas ultimas considerações sobre o assunto são que o amor se esconde no silêncio, no ócio acompanhado e na cumplicidade. E se revela pela mão no ombro ou na perna e pelo pequeno aperto da mão contra a coxa em situação de surpresa. Se revela quando não é preciso falar ao olhar nos olhos e no sorriso bobo e espontaneo ao te ver.
Se revela em não ir, em não fazer, em não estar. Simplesmente porque não é necessário estar ao lado. É necessário estar junto.
Mas a ilusão acontece na palavra bem colocada e no momento de alegria. Ao contrário dos momentos de sossego, brincadeiras tolas e nomes bobos.
Não está na promessa, mas sim no ato.
E sim, está no ciúme. Isso todos sabemos.
Está na ação, e não na intenção. E isso dá medo, muitas vezes. Apesar da intenção, quase sempre, ser tão pura quanto cristal. Se vê através.
Por fim é tão fácil confundir as coisas que muitas vezes preferimos não diferenciar.
E nisto, por fim, residem as dores do amor romântico, clichê cafona e que todos conhecemos.
"eu gosto de ti, nunca brinque com isso...
eu nunca faria isso."
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