Esfregava os olhos com tanta força que parecia querer afundá-los. Mas não, só cansaço. Sabia tudo que o esperava, e isto tornava mais doloroso sair da cama.
Agravante, chovia.
Sentia cada músculo do corpo retesado, faz frio. No verão, mas faz frio.
Se sentiu vivo, então.
Gelado, cansado, em um dia chuvoso.
E vivo.
Mais vivo.
Pelo visto daqueles pedaços arrancados, há meses atrás, nenhuma cicatriz ficou.
Estão preenchidos.
Mas, de quê?
quinta-feira, novembro 18, 2010
quarta-feira, outubro 20, 2010
E do cinza se fez sol, sorriso inevitável. Da dor saiu um traço, e denovo se fez novo. Como roupa recém tirada do varal, com cheiro de sol.
Dentre tantos sentimentos novos, daqueles que não se pode descrever, sobram apenas os derivados daquilo que já se viu e viveu.
Mas o que de novo há, então, nesse sentir?
Se ser um começa a bastar?
Se pensar começa a ser tudo?
Se sentir já é substantivo abstrato e não verbo?
Dentre tantos sentimentos novos, daqueles que não se pode descrever, sobram apenas os derivados daquilo que já se viu e viveu.
Mas o que de novo há, então, nesse sentir?
Se ser um começa a bastar?
Se pensar começa a ser tudo?
Se sentir já é substantivo abstrato e não verbo?
segunda-feira, outubro 18, 2010
Tinha um quê de escuridão, este dia. Algo como uma película umida e enevoada que tudo cobria. Era dificil ver através. Era um dia cheio de mistérios, como a criança que brinca de pirata e tenta convencer não saber onde escondeu seu próprio tesouro.
Era um dia quase frio. Era um dia imerso nos perigos de saber de sua existência. E, quando deixou de sabê-lo, este dia acabou.
Misteriosamente.
E nesse acabar tudo levou. Levou a névoa, o tesouro da criança, a invisibilidade do sentimento.
Levou a si próprio.
E recomeçou, mas então, já era outro.
Outro dia.
Era um dia quase frio. Era um dia imerso nos perigos de saber de sua existência. E, quando deixou de sabê-lo, este dia acabou.
Misteriosamente.
E nesse acabar tudo levou. Levou a névoa, o tesouro da criança, a invisibilidade do sentimento.
Levou a si próprio.
E recomeçou, mas então, já era outro.
Outro dia.
domingo, outubro 03, 2010
quinta-feira, setembro 30, 2010
o retorno ao corriqueiro
Eis que surge mais magro do que me lembrava.
Emagreceu ou a memória falhava? Emagreceu. As calças quase caíam pelos joelhos. O cinto agora deixou de ser acessório. Era necessário.
Nem me perguntei o porquê. Sei, na verdade, quais os motivos.
Todos passamos por isso nessa idade. Tanta coisa, tanta coisa.
O pior desse fato é que esse foi o único detalhe que guardei. Não lembro do cabelo, que costumava gostar tanto.
Nem da roupa. Nem da boca. Nem do antebraço.
O que isso quer dizer?
Estou tentando descobrir.
Faz tempo, muito tempo, que descobri que sou assim: vivo no passado, esperando o presente e sem esquecer do futuro.
Faz tempo, muito tempo, que tento deixar de ser assim.
Mas, até então, tem sido habitável esse mundo de tempos cruzados.
Emagreceu ou a memória falhava? Emagreceu. As calças quase caíam pelos joelhos. O cinto agora deixou de ser acessório. Era necessário.
Nem me perguntei o porquê. Sei, na verdade, quais os motivos.
Todos passamos por isso nessa idade. Tanta coisa, tanta coisa.
O pior desse fato é que esse foi o único detalhe que guardei. Não lembro do cabelo, que costumava gostar tanto.
Nem da roupa. Nem da boca. Nem do antebraço.
O que isso quer dizer?
Estou tentando descobrir.
Faz tempo, muito tempo, que descobri que sou assim: vivo no passado, esperando o presente e sem esquecer do futuro.
Faz tempo, muito tempo, que tento deixar de ser assim.
Mas, até então, tem sido habitável esse mundo de tempos cruzados.
domingo, setembro 26, 2010
quinta-feira, setembro 16, 2010
Encontrei o olhar de maneira que não esperava, e da mesma maneira retribuí. E nessa falta de palavras o ar ficou denso, irrespirável.
Precisei sair daquele lugar.
Nunca tinha passado por isso.
Foi bom. Novo, fresco.
Tenso.
No final das contas, a adolescência sempre existe no que se trata de olhares.
Curiosidade?
Precisei sair daquele lugar.
Nunca tinha passado por isso.
Foi bom. Novo, fresco.
Tenso.
No final das contas, a adolescência sempre existe no que se trata de olhares.
Curiosidade?
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