Nada se mexe, silêncio na casa, e pelo menos parou de gotejar.
O mundo anda meio umido, sonolento, e me faz sentir assim, meio mole, meio nada. E a outra metade, mais viva, entra em conflito.
As infiltrações me fazem pensar num teto que desaba sobre a cabeça. E essa sensação me faz sentir menos seguro de o quanto ainda tenho de vida pela frente.
Domingo de sol, a vida seca e parece não ter sido assim.
A melancolia dos dias de inverno assombra o começo do verão. Não é bem-vinda, mas inevitavel. Calor molhado, solitário. Sem sorrisos, sem sacolé, sem óculos de sol. E nada parece carnaval... porque pra mim, acreditem, verão tem cheiro de carnaval sempre. Aquele cheiro de asfalto quente, de cerveja e de pouco sono. Aquele cheiro de sundown que eu detesto. Cheiro de sol.
Não que eu goste de calor, de sol, ou de verão. Mas cada coisa no seu lugar. E esse sentimento de inércia invernal me faz sentir menos acolhido pelo resto. E o verão deve começar.
Deve derreter as barreiras geladas entre o que fui na ultima estação e o que serei a partir dessa. A luz do sol muda as pessoas. Inegável.
Me sinto num congelador, com a vida a passar pelo lado de fora da porta.
E sim, preciso namorar. Talvez.
Passar calor dividindo o lençol talvez me faça sentir mais vivo. Ou menos morto.
Cansei de carregar guarda-chuva. Cansei de esperar melhorar. Cansei de doar para os desabrigados. É hora de se fazer ensolarar.