terça-feira, maio 09, 2006

"o garoto mais triste de todos que já segurou um martini"

Deixaste pedaços de ti por todas as partes. Palavras, cheiros e gestos impregnaram todos os comodos. Essa casa não serve mais para mim. E isso me entristece ainda mais.
Acertou em cheio quando me olhou. Desmanchou minhas palavras. Contigo, tenho apenas dois estados: falante, empolgado, ou silencioso, pensativo e carinhoso. Faz-me falar muito, expressar toda a felicidade contida no olhar, ou simplesmente calar, pensar e admirar. Admirar é querer o que não se pode ter.
Concordo, agora.
Tuas palavras ecoam perdidas, tiram-me o sono. Um cigarro, dois, vinte. Café para acordar, pílulas para dormir. E nada tira você de dentro de mim. A vontade de te olhar, de te ligar. A vontade de sentir um braço sobre meu corpo quando deitado, tua respiração mexendo o meu cabelo.
Você não some. Se faz sempre presente, mesmo na ausência. Tenho tuas referências por toda a parte, em todos os móveis, lugares, trajes. Fiz de algumas palavras tuas minhas, e de algumas coisas minhas tuas. E assim criei, junto contigo, uma convivência firme.
Precisamos um do outro. E de formas diferentes. E isso machuca, só a mim.
De qualquer forma, me faz bem. Não, não é masoquismo. É acreditar que logo passa, que tudo ficará bem, e que um dia vou entender tudo que se passou.
E saber que agi certo, que somos realmente bons amigos. Porque somos.

Quem dera eu pudesse simplesmente deixar todo o romantismo intrinseco de lado.
Quisera eu agir diferente.

Já assumi minha parcela de culpa. Agora só falta digerir.
E enquanto isso, apreciar o mundo que passa em camera lenta bem na frente dos olhos.


(O coração dos Leões)

Um comentário:

sabe como? disse...

e logo passa, e tudo ficará bem.

e fica.

mesmo.