quarta-feira, julho 26, 2006

leve

Transito por entre casas e ruas, que nem sei deonde vem e para onde vão.
Espero que encontre o caminho mais seguro.
Alguns quilometros de distância entre a estabilidade e minha instabilidade comprovam que não fui longe demais.
Meu pensamento nem tem vagado por tão longe. Terras distantes, apenas cinematográficas.
Aquelas referências todas que não consigo afastar começam naturalmente a fazer parte do meu dia-a-dia, e assim não sinto mais dor. Sinto sim a anestesia. Aquela mesma anestesia, sabe como?
E sinto sim, saudade das escassas palavras, e me sinto tolo. E sinto falta.
Mania de possuir manias, esperar que elas passem.
Os olhos embaçados que não consigo limpar com as costas das mãos. Os braços doem, sem massagem.
Os pés andam, cansam, andam, seguem. E o pensamento flutua tão perto que chega a agonizar...
Estou tentando me educar a viver sem estar apaixonado. E qual a vida sem paixões?

A minha. Desde ontem. Será?
É tudo mentira. Preciso ser sincero comigo. Preciso.
Eu sei.



E não importa se sangro, e não importa se sigo, se escuto.
Importa se falo? Se escrevo?
Alguém aí já leu meu pensamento?

Naquele quarto vazio, imagino o cheiro de tinta. Todas as camisas jogadas, todo dinheiro jogado fora, todo tempo desperdiçado.
E todo tempo vivido, e tudo que aspiro e faz sentir bem.

E tudo que espero. Esperar pra quê?
Que falta me faz, que falta me faz.

Me faz. Me faz.
Me fez.

Me fiz.
Forte e fraco. Tusso e respiro. Anseios demais, palavras de menos. Abraços devidos.
Um beijo ao vento, que leve para onde entender.

Me leve, leve. Nem tão solto, mas também livre.

Leve.
Só não posso esquecer das asas, do coração, da língua e do pensamento.
O resto pode ficar para trás.


Inclusive o que sobrar de mim, e as flores que amassei quando tentei continuar com os pés no chão.


(E antes do fim, uma pergunta: em que língua se comunicam os que amam?)

3 comentários:

sabe como? disse...

o amor é a língua;

e as asas que levam
levar
leve!

o que entra sempre sai,
seja pó ou tinta ou dor

e o que sai,
já foi.

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

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