terça-feira, março 27, 2007

Eu achei que pudesse voar. Achei, não acho mais. Acabou. Mas ainda me arrepio. O corpo todo, até. Mesmo quando não sei porque. As vezes, biologico, frio. Mas nem sempre. Tenho vicio em sensações e melancolias. Adoro a nostalgia. E esperança também. Saudade não gosto tanto, mas as vezes faz bem. E sou facilmente emocionável.
As paredes ao redor estão cheias demais. Cheias de mim e deles. Não me sinto sozinho mesmo quando aqui estou, somente eu. A presença existe independentemente da ausência, sinto. E não acredito mais no perene.
Assim como eu, tudo parece extremamente passageiro e solúvel.

Memória, maldita. Nunca se sabe o que vivemos ou imaginamos. O que é e o que sonho. Assim, nunca me esqueço de nada, e o que esqueço, invento. Nem que lembrasse saberia se de fato foi. Mentira. Não sei inventar, assim. Preciso pensar. Criar. Fazer existir. Leva tempo, leva vontade.

E cada vez que desisto, me arrepio. Parece que vou voar. Será essa a sensação da liberdade? Desistir, afinal, e quebrar algumas algemas. Mesmo vencendo, muitas vezes, mantemos as amarras. Talvez devesse desistir mais. Respirar melhor, dormir mais.

Talvez devesse voar.

2 comentários:

Rebecca Loise disse...

talvez devesse esquecer das asas para inventar a leveza.

Rique, no íntimo da distância de nossas vidas, digo que desistir é adquirir amarras no impossível. A falta de ar sustenta! beijobeijo, querido!

bruno disse...

nussa,quanta coisa nessa cabeça heim?
cara vc souber sintetizar perfeitmente quando diz:"A presença existe independentemente da ausência, sinto"

perfeito

a presença existe-de fato-mesmo quando ausente
e isso talvez,essa nostalgia,melancolia seja o que nos faça ter medo de voar,é mais seguro (comodo)nao arriscar,é mais seguro ter a "sensaçao" de liberdade do que de fato ser livre...

abraço e ateh +