segunda-feira, março 10, 2008

Meus dedos estão mais lentos que os pensamentos, e assim as frases se perdem. Natimortas. Nem chegam a surgir, e tudo de profundo parece se dissolver. Acido no plastico, sabe como é?

Mas não reclamo. É sono e cansaço, um pouco de fraqueza e também decepção.
E além de tudo isso, mas não menos importante, tédio.



Preciso de mudanças.

sexta-feira, março 07, 2008





Strawberry Fields Forever.

domingo, fevereiro 17, 2008

8h10 - levanto da cama, marcele dorme na cama ao lado. Já entra sol pela janela, fazendo o dia ser sentido em todos os cantos do quarto. Lembro que preciso comprar cortinas.

9h00 - saio de casa, seguindo para o trabalho. Na esquina, em frente a banca de revistas, uma mulher dorme no chão, quase encostada na porta de sanfona.

9h15 - subo no onibus, vazio. Sabado de manha, com sol. Somente quem tem que trabalhar está acordado, dentro de um onibus. Escuto música, "Elephant Gun". Gosto de olhar pela janela no caminho, ver o mar. Me sinto bem, apesar do mau-humor matinal.

10h as 19h - trabalho.

19h20 - estou no ponto de onibus, em frente ao shopping. Cinco membros de uma familia passeiam de bicicleta. Numa, o pai e a filha, e na outra a mãe, o filho e o cachorro na cestinha. Subo no onibus, me sento.

19h30 - o onibus passa novamente pela familia, mas desta vez o cachorro corre ao lado da bicicleta, com a corrente presa na cestinha.

19h40 - no terminal as pessoas começam a se aglomerar para esperar o onibus que leva até as suas casas. Quando este chega, descem os passageiros, e entre eles uma mulher carregada de sacolas, e segurando um buquê. Ela está feliz, em suas calças amarelas e blusa branca. Alguém a ama.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Trilhas sonoras inesqueciveis. Como se tudo pudesse se resumir em notas musicais, e, será que isso não é a mais pura verdade? Estou sentindo falta já da sensação de possibilidades.

Fui de poucas palavras hoje, não queria ter que falar. Me preocupa o retorno ao que é a vida que construi. Não que seja ruim, longe disso, mas não sei se é o que realmente quero.



Ficam pessoas inesqueciveis, momentos inesqueciveis, banhos de chuva, almoços tardios, muitas vodkas e cigarros e alguns pelos de cachorros e gatos na lembrança.


E isso é suficiente para que eu saiba que vou sentir muita falta desses dias.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008






Ócio paulistano.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Aos amigos.

Já se vão os dias, por entre uma tragada e outra. E essas dores que nem sei daonde vem. Enquanto meu tempo passa, por entre os dedos, sinto que nem pra todos é assim. Tem coisas que sempre permanecem, imóveis, na teia de dias que se dissolvem. E outras tantas tanto se movem que não percebe-se quando voltam aos seus lugares.
Aquela coisa meio de menina de guardar detalhes já era, e aquelas coisas de homem aparecem. Talvez assim seja, seja assim mesmo. Sinto falta de palavras de professor, tão seguras e decididas. Mas é tempo de relativismos, parece.

E não são braços que fazem nem mãos que constroem. Pensamentos que voam, sim, esses são. Trazem e levam e assim fazem sentido, como faz sentido limpar tua sujeira com as mãos. E não emprestar a mão alheia. Também tem sentido não chorar mais, lágrimas salgadas demais. Quando se para de chorar se percebe o quão bem faz, e o quanto é afirmativo. Nunca fui de chorar muito, não sei até que ponto isso é bom ou ruim.

Algumas saudades dóem, outras nem tanto. Tem aquelas que nem saudade são, de tão profundas. Sensação de presença constante, mesmo distante, que faz sentir tempo perdido como faz o sol por entre as nuvens sentir deus. E questionar existências, como se uma mão universal colocasse tudo em seu caminho. Bobagens. Saudades importam.

Se alguém agora estivesse ouvindo meus dedos ao teclado talvez eu já tivesse parado. E paro porque não há ninguém para ouvir, a não ser eu mesmo.

Preciso dormir.





(para Lorena Paula José Duarte, Gabriele e Juliane Basso, Gabriela Lollato, Tiago Franco, Tiago "Novo", Emanuella Wojcikiewicz, Valeska Gonçalves, Débora Rossetto, Marcele Paim, Camila Florentino e mais alguns nomes que me resguardo)

terça-feira, janeiro 15, 2008

E então você pára. Semi-cerrados os olhos devido ao sol, luz estourada.

Penso: quem dera pudesse mergulhar, mergulhar e esquecer de respirar. Volto, e sinto uma implosão no peito, tal a angustia.

Esse é meu medo: nada é para sempre. Fome de momentos sem fim. Melancolia perene de perda. Esse é meu medo. De que estes olhos estejam fechados e eu não possa mergulhar. De que meus olhos estejam fechados e eu não possa ver...

Penso: os olhos abertos talvez eu possa manter. Mas e o momento, milésimo ou enésimo de segundo que faz a vida assim, o momento esperado ou repugnado, o momento, por si só, assim, acaba?


Você dá alguns passos, a frente. Balança as mãos, mexe os dedos, tocando uns nos outros. Pedras estalam na sola do tênis. A luz reflete nas lentes do óculos, e esse momento é só você.

Penso: faço parte eu, do mundo, quando o momento é inexistente a mim? Percebo este momento, mas de fora. Me excluo. Só sinto. E este momento não é perene.

Falo, e não escuto.





Você pára, amarra os cadarços. Não estou ali para ver, tampouco ser visto. E assim, tudo acaba como começou: em um segundo.

Penso: todos os momentos podem ser comparados a uma música que você acabou de ouvir. No mesmo instante que inicia, acaba. Cada nota percorre a distância necessária e se dissipa, ressoa, ecoa. E acaba. E pode-se ouvir essa mesma música milhares de vezes, e nunca será como a primeira. Memória.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Nunca me derramei sobre você. Não por falta de vontade, mas também. É o calor, sabe? Deixa a gente com preguiça de ser.
Nunca deixei você ir tão longe.

Talvez de perto as coisas fossem mais tranquilas. Ou aparecessem as imperfeições...

Nunca fiz nada por você, como você fez nada por mim.
E assim, entre todos os nuncas, é saudável estar aqui escrevendo pra você.


(multiplas alternativas)

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Teu amor não é tão cego quanto deveria. E enquanto você acha que engana a muitos, pode ter certeza que engana a poucos, você mesmo e talvez mais uns dois ou três. Nessa sensação de certeza pura, tão grande que não cabe no peito, parece-me de alegria séria e distante.

E não, isso não me faz falta.

Enquanto o mundo se desfaz a conta-gotas pela janela tenho a nitida sensação de gotejar pelo vidro abaixo. Sinuosamente criando caminhos que não vão se repetir mais. E acordei tão cedo nesta folga... pra quê? Pra ver chover? Não. Pra fugir do sono onde você teima em aparecer... com seu falso amor-cego.

Meu corpo em ti é braile.
Teu corpo em mim é baile.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Costumo me relacionar em relacionamentos inexistentes. Pessoas que nem conheço podem me fazer sentir melhor. Ou pior. E isso é uma arte. A arte de acreditar no que se quer.

A arte de se enganar. Ou de simplesmente acreditar, e pode dar certo. As vezes dá.

De qualquer forma, é um costume. Do qual eu pretendo me livrar.
Hoje, mais uma vez, criei uma ilusão. E me divirto com ela.

E então por que? Why get rid of them?